Análise Expográfica: Exposição "São Francisco" e "Colecionar o Mundo"
Circuito Liberdade: Casa Fiat de Cultura (Exposição São Francisco) e Espaço do Conhecimento UFMG (Exposição Colecionar o Mundo).
O chamado “Circuito Liberdade” trata-se de um corredor urbano da cidade de Belo Horizonte que pode ser compreendido como o conjunto de equipamentos culturais que situam-se na rua da Bahia ou em sua imediações e que se concentram em maior número na altura da Praça da Liberdade, esta última que está localizada em umas das áreas mais tradicionais e valorizadas da capital mineira.
Inicialmente projetada para abrigar as secretarias do governo do Estado de Minas Gerais, a Praça da Liberdade conta hoje com um conjunto de atividades que nem de longe lembram aquelas de caráter administrativo de seus anos áureos. Abrigo de um conjunto heterogêneo de arquiteturas que vão do neo clássico ao contemporâneo, passando pelo pós modernismo de Eólo Maia, a praça conta hoje com um conjunto de usos de seus edifícios não tão heterogêneo assim, sendo quase em sua totalidade centros de cultura ou Museus. Esta característica de pouca diversidade de usos não é muito divergente da pouca diversidade de público que hoje o referido circuito atrai, sendo em sua maioria pessoas de classe média alta, brancas e moradores da zona sul de Belo Horizonte, que desfilam com seus cachorrinhos de pura raça em caminhadas matinais pela região.
Uma vez contextualizado o local onde se situam as casas culturais que serão aqui analisadas, podemos, enfim, dar prosseguimento ao nosso relatório de visita. A primeira exposição a ser avaliada será a “São Francisco - Na arte de Mestres Italianos”, tal exposição trata-se de um conjunto de obras do período da Renascença e do Barroco realizadas por Artistas italianos como Tiziano Vacellio, Perugino e Guercino, entre outros. Devido a sua grande importância, ou simplesmente por uma cultura repressora em relação ao contato com o objeto de arte, tal exposição conta com um enorme aparato de segurança, tanto feito através de vigias ávidos quanto de tecnologias mirabolantes de sensores de presença, estes últimos que se apresentam como o principal fundo sonoro do ambiente, ganhando dos chiados dos comentário e das instruções dos guias daquilo que não se deve fazer em uma exposição em terras tupiniquins. Além do aparato humano e tecnológico técnicas um pouco mais eficientes foram utilizadas como a micro arquitetura dos móveis expositores que contavam como um “soco” em relação ao piso responsável por indicar ao visitante a distância segura entre o mesmo e as frágeis e medievais obras. Um dos detalhes que expunham um erro rude em relação a boa qualidade de exibição das pinturas italianas fica por conta da iluminação que em muito contribuíram para a não apreensão da beleza das pinceladas e texturas usadas nas obras que retratavam o tão iluminado São Francisco de Assis, O Pobrezinho.
A Segunda Exposição aqui analisada será a “Colecionar o Mundo”, exposta no Espaço do Conhecimento UFMG. Esta exposição traz como um de seus principais “partidos” a ideia de apresentar as coleções distintas que pertencem ao acervo de diversos espaços de memória dos cursos da Universidade Federal de Minas Gerais, nota-se um esforço empregado afim de colocar todos os objetos musealizados em harmonia e em diálogo para que os mesmos pudessem formar uma boa narrativa, na qual o emprego da ideia da “diversidade” das coleções p fosse o seu carro chefe. A heterogeneidade da exposição de fato é o que mais nos chama a atenção e é também a que mais nos intriga, confunde e desespera devido a quantidade de informações que se tocam no campo das ideias e da filosofia, mas que em nada fazem sentido no campo da experimentação, aprendizado e fruição do visitante. Nesta exposição a segurança do acervo é garantida também por vigias atentos, estes mais simpáticos do que aqueles, e por artefatos tecnológicos, obviamente muito mais modestos do que os acima mencionados, limitando-se à vitrines de vidro. A iluminação, feita por spots em trilhos eletrificados, em nada compromete a exposição das museálias e é de longe mais adequada do que aquela utilizada na exposição de “São Francisco”, onde a dureza da luz e o direcionamento inadequado contribuíram de maneira significativa para a apreensão do bem ali exposto.

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