ARQUITETURA X HABITAÇÃO. A SEPARAÇÃO PODE SER EVITADA.
ARQUITETURA X HABITAÇÃO. A SEPARAÇÃO PODE SER EVITADA.
RESUMO
Este trabalho consiste em abordar a arquitetura desenvolvida no século XX, avaliando sua qualidade e desempenho através da necessidade dos habitantes. Percebe-se que há uma maior qualidade das casas feitas no Brasil e este trabalho procura indicar quais as possíveis contribuições do Movimento Moderno da Arquitetura Internacional para o fenômeno acima mencionado. Ao final do referido artigo ou autor aponta possíveis soluções em que são apontadas experiências do artista Andy Warhol para a compreensão dos possíveis caminhos para uma boa arquitetura popular.
RESUMEN
Este trabajo consiste en abordar la arquitectura desarrollada en el siglo XX avaliando su cualidad y desempeño mediante la necesidad de los moradores. Se percebi que hay una má cualidad de las casas heichas en Brasil y este trabajo busca indicar cuáles las posibles contribuciones del movimiento Moderno de La Arquitectura Internacional para el fenomeno arriba mencionado. Al final de lo referido artico o autor apunta posibles soluciones en lás cuáles son apuntadas experiencias del artísta Andy Warhol para la comprension de los camiños posibles para una buena arquitectura popular.
A PROPOSTA CORBUSIANA
O Arquiteto Franco-Suiço Charles Édouard Jeanneret (1887 - 1965), conhecido como Le Corbusier, diante dos problemas enfrentados pelas populações europeias do inicio do século XX, com o primeiro pós guerra juntamente com a industrialização crescente, que deu um grande salto de produção no século XIX, e a consequente escassez de residências, devido ao grande crescimento demográfico, começou um estudo minucioso sobre a produção arquitetônica, estudo esse que logo culminou em sua mais conhecida obra, “Rumo a uma arquitetura” (1923), que pretendia dar novos rumos a arquitetura vigente, propondo uma aproximação com a produção industrial, cujo maior expoente era o automóvel.
O arquiteto considerava a engenharia voltada para a construção civil, a mais atrasada das escolas de engenharia, pois essa simplesmente ainda não tinha lançado mão do uso dos novos materiais de alta resistência produzidos em larga escala pela grande industria, principalmente a metalúrgica. Corbusier propunha , que a exemplo da industria automobilística, que renova e aperfeiçoa seu produto quase que diariamente, incorporando ao mesmo tudo que está na ponta da tecnologia, o arquiteto buscasse por um novo modo de produzir a arquitetura, um modo que se assemelhasse as indústrias naval, aérea e automobilística. Pois somente desta forma, acreditava ele, conseguiríamos uma arquitetura que venceria as barreiras geográficas, climáticas e sociais, uma vez que somente esta arquitetura poderia ser produzida de forma rápida e reproduzida maciçamente, em qualquer lugar do mundo. Foi com essa visão utópica de que a arquitetura pode ser o ponto chave para diminuir as tenções sociais e promover uma melhor qualidade de vida, que Le Corbusier finaliza seu ensaio, “Rumo a uma arquitetura com a frase: “Arquitetura ou revolução. Podemos evitar a revolução”.
Além de propor a “casa como uma máquina de morar”, Le Corbusier acredita piamente que a forma artística deriva de um método, ou problema, previamente definido, o que leva à correspondência entre forma e função e é partindo desse pressuposto que o arquiteto faz seus primeiros projetos lançando mão de cinco características, que acreditava serem os pontos de partida para, não apenas resolver os problemas da habitação, como também trazer a tona um novo modelo de urbanismo, baseado na dinâmica da cidade moderna que, fortemente marcada pela presença do automóvel, vê-se obrigada a repensar seus sistemas de circulação, partindo do princípio de que “a cidade que dispõe da velocidade dispõe de sucesso”.
Os cinco itens propostos por Corbusier, também conhecidos como os “cinco pontos da nova arquitetura”:
Pilotis: Elementos estruturais que possibilitam a suspensão do edifício em relação ao solo.
Terraço jardim: A cobertura do edifício é transformada em um lugar habitável.
Planta livre: O projeto dos espaços ganham um número expressivo de possibilidades, possibilitados pela independência entra estruturas e vedações.
Fachada livre: também permitida pela separação entre estrutura e vedação.
Janela em fita: Janelas colocadas de forma continua.
Destes cinco elementos propostos pelo arquiteto, provavelmente foi o pilotis aquele que tenha tido a maior expressão para o contexto urbano, pois o surgimento deste elemento nada mais é que a aplicação dos conceitos pensados para uma maior mobilidade urbana trazido para a escala do edifício, além disso o uso deste “ponto”, possibilita o maior aproveitamento do espaço urbano, uma vez que o espaço ocupado pelo volume não esta pousado inteiramente sobre o solo.
Princípios fundamentais do urbanismo proposto por Corbusier:
1. Descongestionamento do Centro
2. Aumento da densidade
3. Aumento dos meios de circulação
4. Aumento das superfícies arborizadas
O uso intenso do sub-solo para as grandes linhas de transporte de massa. A cidade que dispõe da velocidade dispõe do sucesso
Mais que produzir casas em série o Arquiteto pretendia, mudar o modo de vida adotado pela sociedade, propondo lhes uma nova possibilidade de habitação que, uma vez submetida as novas tecnologias e ao rítio acelerado da industria, faria um rompimento com o passado, trazendo a tona um novo modo de habitar, um habitar moderno, onde a casa unifamiliar é trocada pelos edifícios multifamiliares, dotados de espaços voltados para serviços e atividades variadas, necessárias á dinâmica da vida urbana. Neste contexto, fortemente marcado pelas ideias racionalistas, a figura do arquiteto surge como um intermediador, responsável por concretizar o espaço deste novo habitante da cidade. E é justamente com este pensamento, que o arquiteto toma para si a responsabilidade de levar para espaço urbano todos os preceitos providos do positivismo Comtiano, que baseava-se na ideia racionalista de que para um bom convívio em uma cidade com um número considerável de habitantes, a ordem a organização e boa disposição dos equipamentos urbanos eram indispensáveis. Destes princípios nasce uma produção arquitetônica no baseado no zoneamento dos espaços, usando como critério para a separação a função pré determinada dos mesmos. Este novo modelo empregado pela arquitetura dita moderna, recebe o nome de Funcionalismo e ganha adeptos em todo o mundo. Tendo na figura de Le Corbusier seu maior expoente.
“Procedendo à maneira de prático em seu laboratório, fugi dos casos específicos: afastei todos os acidentes; concedi-me um terreno ideal. O objetivo não era vencer o estado de coisas preexistentes, e sim ao construir um edifício teórico rigoroso, formular princípios fundamentais de um urbanismo moderno.”
A unidade habitacional de Marselha é um dos projetos mais conceituados de Le corbusier. Planejada imediatamente a Segunda guerra Mundial (1945-1946), o edificio, projetado para 1600 habitantes possui 140 metros de fachada, 24 metros de largura e 56 metros de altura, previa o funcionamento de aproximadamente 25 serviços independentes. O edifício conta com 58 apartamentos projetados no estilo dominó.
A unidade de Marselha foi a primeira oportunidade que Corbusier teve de pôr em prática todas as suas teorias, inclusive a que previa o modelo inovador de habitação que previa a integração de um sistema de distribuição serviços autônomos, responsáveis por darem suporte a denominada unidade de habitação, esse modelo alem de visar alem de dar comodidade ao seu usuários, fazer com que o edifício tenha uma certa autonomia em relação ao seu exterior, pois essa auto suficiência influenciaria de maneira direta fenômenos urbanos como distribuição circulação, características comuns à sociedade moderna. O projeto de marselha foi bastante generoso no uso dos pilotis e do terraço jardim, este último que pensado para se centro de funções, sendo por tanto o espaço do edifício que contaria com a maior vivência no edifício, onde os moradores poderiam contar com um um conjunto de equipamentos que incluía:
Pista de atletismo
Ginásio coberto
Clube
Enfermaria
Infantário
Espaço social
O uso do terraço jardim pode ser considerado o maior exemplo da ruptura com o passado rumo a modernidade proposta por Corbusier, uma vez que este ambiente, projetado para ser o palco do encontro, da reunião e da sociabilidade de um modo geral, em nada se assemelha áqules que o precederam.
A unidade Habitacional de Marselha, de fato possibilitou a concretização de todos os conceitos que estavam sendo desenvolvidos em torno do habitar moderno, esse edifício, marca o auge da pesquisa corbusiana, e consolida o uso da arquitetura funcionalista, adotada de maneira indiscriminada por escolas de arquitetura em todo o mundo.
Funcionalismo e desumanização
CONJ. HAB. EM DESDREN
A arquitetura proposta pelos modernistas carrega consigo uma enorme herança do Positivismo Comtiano, Iñaki Ábalos, no livro “ A boa vida. Visita guiada as casas da modernidade”, chama atenção para o quanto, as escolas politécnicas, consideradas pela a autora o maior êxito de Comte e seus seguidores, ainda nos dias de hoje, mantem intacto o ideal positivista.
Embalada pelo processo de industrialização da arquitetura, proposto por Corbusier, a casa positivista, segundo Ábalos, encontra no conjunto habitacional a sua maior expressão, tornando-se o campo ideal para a aplicação de todos os conceitos trabalhados pelos arquitetos modernistas. Adotada como unidade de um conjunto, a habitação se torna chave de um novo planejamento urbano, responsável por solucionar o espaço público e alimentar o imperativo moral, onde o coletivo é tomado como valor superior, sendo por tanto o fim último da habitação. O circulo sobre a aplicação do conjunto habitacional se fecha, quando este é colocado como a síntese da relação entre, “orgânico e Máquino”, evolucionismo e industrialização, sendo ao mesmo tempo expressão da metáfora orgânica a casa como célula e o espaço urbano como organismo, a habitação acaba configurando-se no produto da industrialização em série que produz habitações “tipo” para famílias tipo”.
No processo positivista, segundo, Iñaki Ábalos, O indivíduo é tomado como uma abstração, como a peça de uma engrenagem sujeita a à observação e a experimentação, como um dado estatístico, objetável, que se dilui em comportamentos previsíveis. O homem, uma vez tomado como um ser previsível, tem suas ações estudadas e transformadas em ciência, que transportada para a arquitetura, deu origem a profissionais em conceber espaços com funções e usos pré determinados. Criada com base nos modelos de aperfeiçoamento científico, a cidade positivista submete tempo e espaço à unidades mínimas autônomas e otimizadas.
Todos esses condicionantes da vida moderna nada mais são que uma materialização da chamada Carta de Atenas escrito em 1933, o livro sobre a cidade positivista. Neste livro a planeja-se uma cidade com áreas autônomas para o lazer, para o trabalho para a circulação e para a habitação. E é dessas necessidades de planejar a cidade com base na ordem e nos preceitos científicos que nasce o urbanismo, que se estende da casa operária a cidade inteira, transformando-se no que foi tão almejado pelos arquitetos da modernidade, uma máquina planejada.
Os mecanismos que já tinham sido aplicados nos projetos casa, são ampliados para a escala da cidade. A planta, ou planejamento técnico, novamente são os documentos chefes para a otimização dos espaços urbanos, sendo responsáveis por dotá-los de elementos orgânicos e higiênicos. Este esquema de produção do espaço de maneira funcionalista, organizando-os por zonas e funções, são empregados tanto pelos investimentos públicos quanto os privados.
Ao longo da história a arquitetura sempre se rendeu a máquina de maneira contemplativa, isto é, encantando-se com suas prosas, mas no entanto sem conhecer seus princípios mecânicos. Essa prática do arquiteto revela uma potencialidade que o arquiteto abriga de dar as costas ao passado histórico, e é essa mesma característica que vem a tona com os arquitetos pretensiosos que escreveram a carta de atenas, que em um ato bastante dosado de insensibilidade propõem essa quebra total com o passado. É provavelmente está insensibilidade, herdade dos valores positivistas, que ironicamente, assim como marcou o o seu apogeu, marcará o fim da cidade moderna, e trará uma crítica que abrirá caminho para novas formas de pensar e de habitar que logo serão postas em prática ainda no século XX.
Sem dúvida alguma o maior problema da arquitetura moderna é o modo como o projeto tira a liberdade de seu usuário, que logo é colocado em uma rotina imposta pelas limitações da edificação, principalmente ao que diz respeito a mecanização, pois as instalações de energia são de longa as mais precárias dentre as instalações domésticas. Essa limitação ao qual os habitantes são condicionados, não permite que se desenvolva uma apropriação subjetiva dos espaços por parte dos seus usuários, o que logo é refletido na dificuldade dos mesmos de criarem sua própria identidade. Ábalos afirma que são estes fatores limitantes que fazem com que a tentativa de individualização esbarre na presença, “autoritária e fantasmagórica”, do arquiteto, o que anula qualquer hipótese de iniciativa por parte dos moradores.
“Ainda hoje a os preceitos herdados ortodoxia faz prisioneiros em todos países. A tarefa de quem deseja modificar sua forma de pensar e de projetar a habitação é também a tarefa de escapar ao marco não apenas epistemológico, mas também normativo, da modernidade” ( Ábalos, 2001). Possivelmente as dificuldades, que ainda hoje os arquitetos enfrentam para superar essas premissas da pensada de maneira funcional, não esteja apenas nos conceitos propostos pelos positivistas e sua influência nos ensinamentos de arquitetura, mas na sua herança, que se faz presente nos processos produtivos através de normas. O que faz com que modelos de produção arquitetônica, que conceitualmente já foram ultrapassado, continuem sendo usados.
A proliferação dos conjuntos habitacionais, o domínio da industria sobre a produção arquitetônica e a consequente falta de qualidade das habitações, contribuem de maneira significante para o encarecimento do solo urbano. As grandes construturas abastecem o mercado com habitações funcionalistas, baseadas em famílias tipo, feitas usando as cota mínimas de espaço para cada zona da casa. Lançando mão deste tipo produção a industria exclui da sua lista de possíveis usuários todos aqueles indivíduos que não se enquadram no modelo padrão de família nuclear. Dessa maneira, mesmo que a cidade possua inúmeros lugaras habitáveis vazios, diversas pessoas ficam a margem do que é oferecido pelo mercado, pois condições financeiras suficientes para adquirir um imóvel que atenda as suas necessidades enquanto indivíduo.
HABITAR: NOVOS MODELOS
“Repensar o ser, retornar as origens da filosofia; Repensar a casa, voltar a interpretar seu sentido existencial, trata-se, então, de um único trabalho, de uma mesma tarefa, com o que necessariamente se confronta a alienação tecnológica moderna.” Iñaki Ábalos.
Pensar o homem como ser previsível passível ser estudado e analisada como uma ciência, foi provavelmente o maior erro dos arquitetos modernistas, que cegados pelos preceitos positivistas submeteram os habitantes da cidade moderna, através do funcionalismo dos espaços projetados, á uma total aniquilação de suas subjetividades. O que logo culminou na desumanização tanto da habitação como da cidade como um todo.
Ao contrário do que supunha os modernos o homem é um ser complexo movido por valores subjetivos, que estão ligados as suas experiências individuais somadas a valores culturais que muitas das só é compartilhado por pequenos grupos que podem estar ligados por laços familiares ou não. Escolher um ambiente saber se o mesmo te agrada ou não é uma questão totalmente particular, mesmo que muitas das vezes esta escolha esteja ligada a fatores externos como classe social, crenças ou mesmo política, a variação que ela pode ter de um indivíduo para um outro que esteja em uma situação completamente análoga, é impossível de ser determinada.
As demandas habitacionais contemporâneas são inumeráveis, e variam de luga a lugar e de pessoa a pessoa. Há muito o modelo de habitação baseado na estrutura nuclear, ou seja no casal com filhos, foi superado. Isso devido a fatores como, por exemplo, a maior igualdade entre os sexos, os relacionamentos entre casais de mesmo sexo, as habitações em comuna, abrigos temporários, etc..
Para solucionar este quadro é necessário, assim como propõe Heidegger em sua conferência, 'construir, habitar, pensar” (1951), retomarmos o conceito de habitar, no qual construção e habitação são indissociáveis, sendo impróprio pensar um independente do outro, “ Este, o construir tem aquele, o habitar, como meta”, Segundo Heigger , através do estudo das palavras alemãs que deram origem a palra habitar (“buan”), fica fácil encontrar o seu verdadeiro significado, pois logo constatamos que as palavras que designam habitar ('buan”) e ser ('bin”), possuem a mesma origem. Ou seja “habitar” é sinônimo de “ser”. Fato que reforça a ideia de que a habitação é indiscutivelmente individual, o que nos alerta sobre o quanto é incoerente a produção empregada pelas Grandes construtoras, que elaboram projetos, que alem de não contarem com a participação das pessoas que os habitarão, são reproduzidos aos milhares.
Em seu livro, “a boa vida. Visita guiada as casas da modernidade”, Iñaki Ábalos, mostra como a arquitetura só consegue ser primorosa a partir do momento que consegue capturar o que cada individuo tem de mais singular, e traze-lo para o espaço físico. E isso pode experimentado através da “visita” ao qual a escritora nos convida, mostrando todos os detalhes provindos do caráter, ou mesmo da falta de expressão do mesmo, como é o caso da casa “máquina de morar”, implícitos no espaço arquitetônico.
Para evitar que os ambientes planejados se transformem em objeto de desumanização é necessário quebrar com os paradigmas que pairam sobre o processo arquitetônico, e trabalhar propostas que visem o espaço com usos múltiplos, onde atividades como trabalho e lazer possam se integrar.
Atualmente, mesmo que de maneira tímida, existem projetos que tem como base essa aproximação com o habitante no momento de pensar o ambiente. Ábalos nós apresenta sete modelo diferentes de habitação, abrindo espaço para pensarmos o quão é possível que os espaços sejam pensados a partir elementos singulares e subjetivos do habitante. Como é o caso da “casa existencial”, a cabana de Heidegger em Todtnauberg, que Iñaki nós convida a visitar e mostra como esse modelo carrega toda a complexidade que o filósofo, que digamos de passagens tem a maioria de seus estudos voltados para o “ser”, é feito e ao mesmo tempo mostra como este mesmo homem tem uma vida modesta próximo á floresta.
Mas o maior exemplo da possibilidade da construção de uma habitação, no sentido mais completo da palavra, que Heideger gentilmente nós ensinou o significado, é a passagem pela apropriação que Andy Warhol faz em um galpão abandonado na cidade de Nova York. Com suas próprias mãos o artista apropria-se do espaço antes abandonado, usando papel alumínio e um velho sofá encontrado no meio da noite em um cruzamento qualquer, este lugar construindo por Warhol logo ganha o nome de “Factory”, configurando-se em lugar frequentado tanto por miseráveis quanto por afortunados Nova Iorquinos. Esse habitação de Andy, atropela todos os preceitos positivistas, pois é em si mesmo um protesto contra a presença da autoridade: “Em contraposição a ordem pautada da vida cotidiana regulada pelo funcionalismo, a desordem será a característica visual mais óbvia, uma desordem precisa, que se estende desde o espaço e seus usos mais imprevisíveis e improvisados até o tempo, dando forma a modos de vida alheios ao ritmo vital do homem-tipo.”Ainda segundo Iñaki, o Loft de Andy Warhol é resposávl por contestar uma à uma as categorias idealizadas pelos positivistas.,sendo considerado sua negação, por excelência. O Loft Warholiano assusta o mercado imobiliário ao criar uma tendência de aquisição de metros cúbicos, para serem de uso comum, em espaços sem nenhuma qualidade técnica, sendo contrário também ao arquiteto moderno e ao seu aparato pseudocientífico.
Andy Warhol na “Factory”
O arquiteto, devido á um passado de experiências conturbadas em relação a habitação, foi colocado a margem de sua própria função, deixando-se alienar pelos processos de construção da indústria, resumindo-se a mero regulamentador dos projetos construtivos. Para reverter este quadro é necessário que o profissional arquiteto retome sua posição diante da produção habitacional, trazendo para si a responsabilidade chegar a um processo de produção do espaço, onde a dignidade do indivíduo que irá habitar este espaço é garantida pela participação do mesmo ao próprio processo de planejamento, onde o arquiteto deverá toma a postura de “desprofissionalizar seu olhar”, para conseguir ver aquilo que realmente se quer ver, a arquitetura. Heidegger já nos chamou atenção para o fato de que a “crise da habitação” acompanha o homem desde os primórdios, mas no entanto é somente buscando e rebuscando e essência do habitar, e isso só é possível se “construirmos a partir do habitar e pensar em direção ao habitar.”.
De fato Iñaki Ábalos acerta ao dizer que a cultura arquitetônica há décadas cultiva uma inocência, que desperta em nós um sentimento que pode ser sintetizado na expressão “aprender a esquecer a modernidade”. Superar o legado positivista é de longe o maior desafio da arquitetura. Alcançar o “habitar”, contidos nas palavras de Heidegger, só será possível caso o arquiteto restabeleça seus laços com a habitação, pensando em seu futuro, mas de modo algum excluindo dela seu passado. Arquitetura x Habitação: a separação pode ser evitada.
Bibliografias:
HEIDEGGER M., construir, habitar, pensar (1951)
ÁBALOS, Iñaki, aboa vida.Visita guiada as casas da modernidade (2001)
http://www.pfilosofia.xpg.com.br/04_miscelanea/04_03_barsa/barsa_01.htm
http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/2006/10/o-caminho-de-corbusier.html




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